Os peelings químicos são procedimentos muito usados na medicina estética para melhorar textura, luminosidade e uniformidade do tom de pele através da aplicação controlada de uma solução química que promove a esfoliação das camadas superficiais da pele e a sua renovação.
O que é um peeling químico?
Um peeling químico consiste na aplicação de uma solução química na pele para remover, de forma controlada, as camadas danificadas e estimular a regeneração. A pele “nova” tende a ficar mais suave, luminosa e uniforme, mas também temporariamente mais sensível ao sol.
Quando bem indicados e realizados por profissionais qualificados, podem ajudar em queixas comuns como acne, manchas, melasma, aspecto baço, linhas finas e sinais de fotoenvelhecimento.
Tipos de peeling: superficial, médio e profundo
A classificação mais usada é pela profundidade de ação, que influencia resultados e tempo de recuperação:
1) Peeling superficial
- Atua sobretudo na camada mais externa.
- É usado para melhorar descoloração ligeira, aspereza e dar “refresco” à pele.
2) Peeling médio
- Penetra mais (camadas mais profundas da epiderme e parte da derme).
- Pode ajudar em manchas, linhas finas, rugas ligeiras/moderadas e discromias.
3) Peeling profundo
-
- Atinge planos mais profundos e é o que tem maior impacto — e também maior “downtime”.
- Em geral, é um procedimento mais exigente, feito em ambiente apropriado; e, classicamente, não é repetido múltiplas vezes (muitas referências apontam que pode ser realizado apenas uma vez).
Para quem é indicado?
Pode ser uma boa opção para quem pretende melhorar:
- textura irregular e poros
- manchas/tom desigual, sardas e sinais de fotoexposição
- melasma (com avaliação cuidadosa e plano adequado)
- linhas finas, sobretudo em zonas como contorno da boca e região periocular (dependendo do tipo de peeling)
- acne e algumas marcas superficiais associadas
Nem sempre é a melhor escolha para flacidez marcada ou rugas muito profundas — nesses casos, pode ser necessário combinar com outras abordagens.
Que áreas podem ser tratadas?
O mais comum é o rosto, mas também pode ser aplicado em:
- pescoço
- colo
- mãos
Como é o procedimento na prática?
Em consulta, o profissional avalia o seu objetivo, tipo de pele e histórico. Em alguns casos, pode ser recomendado um plano de preparação pré-peeling durante 2 a 4 semanas, para otimizar resultados e reduzir efeitos indesejáveis.
No dia, a pele é preparada (limpeza/assepsia) e a solução é aplicada de forma controlada e por tempo adequado. Em peelings mais profundos, pode ser necessário um contexto clínico mais rigoroso (incluindo anestesia/sedação em determinados cenários).
Quando aparecem os resultados?
De forma geral:
- Após o tempo de cicatrização, já se nota pele mais uniforme e luminosa.
Resultados podem ser subtis nos peelings superficiais (e acumulativos com repetição) e mais “marcantes” nos peelings médios/profundos
Quantas sessões são necessárias?
Depende do objetivo e do tipo de peeling. Para peelings leves, por exemplo, pode ser necessário um ciclo de várias sessões para atingir o resultado pretendido, com intervalos definidos pelo profissional.
Pós-procedimento: o que é normal e que cuidados seguir?
É comum haver vermelhidão, sensação de pele “repuxada”, descamação e sensibilidade. O tempo de recuperação varia:
- Superficial: cerca de 1 a 7 dias
- Médio: cerca de 7 a 14 dias
- Profundo: frequentemente 14 a 21 dias (com cuidados mais intensivos e maior tempo de restrição solar)
Cuidados essenciais (orientações gerais, ajustadas caso a caso):
- fotoproteção rigorosa e evitar sol direto enquanto cicatriza
- hidratação/cremes conforme indicação
- evitar “puxar”/arrancar peles e evitar fricção
- seguir as recomendações do médico sobre rotina e ativos (ex.: retinoides/ácidos)
Se houver dor intensa, sinais de infeção, alterações de cor marcadas e persistentes, bolhas extensas, ou algo “fora do esperado”, deve contactar a equipa médica.
Riscos e contraindicações: transparência é parte do cuidado
Como qualquer procedimento, há potenciais efeitos adversos. Entre os mais citados:
- alterações de pigmentação (temporárias ou, raramente, persistentes), com maior necessidade de experiência em peles mais escuras
- infeção e cicatriz (raros, mas possíveis)
- reativação de herpes labial em pessoas predispostas
A segurança depende muito de indicação correta, técnica, profundidade adequada, preparação e follow-up.
Conclusão
O peeling químico é um tratamento versátil e eficaz para quem procura melhorar textura, luminosidade e uniformidade da pele, com diferentes intensidades (superficial, médio e profundo) e diferentes tempos de recuperação. O segredo para bons resultados é um plano personalizado: avaliar o tipo de pele, escolher a profundidade certa, preparar adequadamente e cumprir o pós-tratamento, sobretudo no que toca à proteção solar.
Bibliografia
- American Academy of Dermatology (AAD).Chemical peels: Overview.
- American Academy of Dermatology (AAD).Chemical peels: FAQs.
- American Society for Dermatologic Surgery (ASDS).Chemical Peels.
- Mayo Clinic.Chemical peel: About / Results / After the procedure.
- American Society of Plastic Surgeons (ASPS).Chemical Peel (overview) & Risks and Safety.
- (Revisão)Chemical peeling: A useful tool in the office.