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Queda de cabelo e PRP (Plasma Rico em Plaquetas): o essencial para compreender o tratamento

publicado em 05 Mar. 2026

queda de cabelo é uma queixa muito frequente e pode ser multifatorial. Por isso, antes de falar em procedimentos, é necessário definir o tipo de queda de cabelo e a causa. O que funciona bem para uma pessoa pode ter pouco efeito noutra, porque o mecanismo por trás pode ser hormonal, inflamatório, pós-stress, carencial, autoimune, entre outros.

 

Dentro das opções disponíveis, o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) tem ganho destaque por ser um procedimento autólogo (feito com o sangue do próprio doente), minimamente invasivo e com um perfil de segurança globalmente favorável.

Qual é o tipo de queda de cabelo?

Na prática clínica, é útil separar pelo menos estes cenários:

 

  • Alopecia androgenética (AGA)

 

A “calvície” masculina/feminina, com afinamento progressivo dos fios e rarefação em zonas típicas. É, de forma geral, onde o PRP tem melhor suporte científico.

 

  • Eflúvio telógeno

 

Queda difusa (muito cabelo a cair), frequentemente após stress, febre/doença, pós-parto, défices nutricionais ou alterações hormonais. Aqui, o principal é identificar e corrigir a causa; PRP pode ser considerado em casos selecionados, mas não substitui investigação clínica.

 

  • Alopecia areata

 

Queda em placas, de base autoimune. Há estudos com PRP, mas os resultados são variáveis e, em revisões de ensaios randomizados, o PRP não se mostrou claramente superior a terapias intralesionais padrão em alguns desfechos (ex.: comparações com corticosteroide).

O que é PRP?

PRP é um concentrado de plasma com maior proporção de plaquetas, obtido por centrifugação de sangue do próprio doente e aplicado no couro cabeludo por microinjeções. As plaquetas libertam mediadores associados à reparação tecidular, e a hipótese é que isso possa favorecer o microambiente do folículo piloso, ajudando sobretudo em quadros de miniaturização do folículo, como na alopecia androgenética.

Como é o tratamento?

Apesar de existirem variações, o fluxo é geralmente:

 

  1. Avaliação e diagnóstico (incluindo história clínica, padrão de queda, tricoscopia quando disponível e/ou análises se indicado)
  2. Colheita de sangue e preparação do PRP
  3. Aplicação no couro cabeludo com microinjeções.

Quantas sessões são necessárias?

Não existe um “único” esquema universal, mas é comum trabalhar com:

 

  • fase inicial (várias sessões ao longo de alguns meses)
  • manutenção espaçada, conforme resposta

 

O mais correto é encarar PRP como tratamento progressivo, que precisa de reavaliação objetiva (fotos padronizadas, tricoscopia/contagem quando possível).

Quando aparecem os resultados?

O cabelo tem ciclos de crescimento, então os ganhos tendem a ser graduais. Estudos costumam avaliar densidade/contagem e parâmetros clínicos ao longo de semanas a meses, e o benefício é mais consistente ao longo do tempo, não imediato.

Pós-procedimento: o que é normal e que cuidados seguir?

Podem acontecer:

 

  • sensibilidade local
  • vermelhidão
  • pequenos hematomas
  • edema ligeiro transitório

 

Cuidados gerais:

 

  • evitar fricção intensa do couro cabeludo no próprio dia
  • seguir as orientações sobre lavagem/ativos tópicos
  • reportar dor forte, secreção, febre ou sinais sugestivos de infeção

Conclusão

O PRP é uma opção interessante e muito utilizada para queda de cabelo, sobretudo como adjuvante na alopecia androgenética, com evidência a sugerir melhoria de densidade capilar em parte dos doentes, mas com resultados dependentes de diagnóstico correto, qualidade do protocolo e acompanhamento. Para outros tipos de queda (como alopecia areata), pode ter papel em casos selecionados, sempre com expectativas realistas e plano individualizado.

Bibliografia

  1. Anitua E, Tierno R, Alkhraisat MH. Platelet-Rich Plasma in the Management of Alopecia: A Systematic Review and Meta-Analysis of Clinical Evidence. Dermatol Ther (Heidelb). 2025;15:3213–3252. Published 13 Sep 2025.
  2. Guida S, Galadari H. Platelet-rich plasma has a place in the treatment of androgenetic alopecia. J Am Acad Dermatol. 2020.
  3. Is autologous platelet-rich plasma capable of increasing hair density in patients with androgenetic alopecia?(systematic review/meta-analysis). 2024.
  4. The role of platelet-rich plasma in androgenetic alopecia (systematic review). J Cosmet Dermatol.
  5. Platelet-Rich Plasma in Alopecia Areata—A Steroid-Free Treatment Modality: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. Biomedicines. 2022.